O
Wakeboard evoluiu a partir de diferentes formas
e em tempos diferentes até chegar ao que
é hoje : o esporte aquático que
mais cresce no mundo.
Durante décadas, o esporte preferido dos
freqüentadores das praias foi o surfe. E
mesmo nessa época, as pessoas se recordam
de surfistas sendo rebocados por um cabo de esqui
aquático atrás de barcos, e até
mesmo sendo puxados por carros na beira d`água.
Desde então, começou-se a usar pranchas
menores.
No inicio da década de 80, em diversos
lugares do mundo e inclusive no Brasil, algumas
pessoas passaram a colocar alças para prender
os pés em pranchas de surf. Diversos protótipos
foram feitos, mas nenhum deles virou produto de
mercado.
Em 1984, um surfista de San Diego chamado Tonny
Finn desenvolveu o Skurfer - um híbrido
de esqui-aquático e prancha de surf. Foi
o primeiro shape de prancha desenvolvido especificamente
para a hidrodinâmica de ser puxado por um
barco ao invés de ser empurrado por uma
onda. A prancha possuía as características
de uma prancha de surf, porém menor e mais
estreita e com fundo do esqui slalom (côncavo),
e grande flutuação.
O Skurfer se parecia com uma prancha de surfe
pequena, enquanto o surfista realizava manobras
como cavadas e batidas ao estilo surf usando a
marola do barco. Este estilo lembrava esportes
como snowboard e skateboard, com um pouco de esqui-aquático.
Os skiboarders tinham que se equilibrar em cima
da prancha, uma vez que ainda não havia
alças ou sapatas para prender os pés.
Foi a primeira prancha a ser comercializada.
No verão de 1985, alças (ou footstraps)
foram adicionadas às pranchas de mercado.
O interessante é que esta inovação
veio ao mesmo tempo através de pessoas
diferentes que não tinham idéia
do que o outro estava fazendo. Finn adicionou
alças à sua Skurfer, enquanto Jimmy
Redmon, em Austin, Texas, adicionava alças
a sua prancha para esqui Redline, que era uma
versão menor da Skurfer e causava furor
no Texas.
O significado das alças não pode
ser subestimado na evolução do wakeboard.
As alças permitiram ir mais alto nas manobras
( go big ! ), levando o esporte a algo mais do
que o surfe. O Wakeboard passou a se parecer mais
com o snowboard, mais dinâmico e fluido.
Em setembro de 1987 Roberto Pereira Leite, o Betinho,
introduziu no mercado brasileiro uma cópia
da Skurfer fabricada em São Paulo.
O lendário surfista da praia da Enseada
no Guarujá, o Paulinho "Toy"
foi o primeiro e único campeão Brasileiro
de Skurfer ao vencer 1º Festival Unidade
de Skurfer realizado no Clube de Campo de São
Paulo em abril 1988. O campeonato era um híbrido
de surf com esqui, onde o competidor tinha de
completar a pista de slalom com a prancha skurfer.
Durante o resto da década, Tonny Finn promoveu,
popularizou e comercializou o Skurfer, e o esporte
skiboarding nasceu. Mas mesmo enquanto o primeiro
campeonato de Skurfer foi televisionado pela TV
a cabo em 1990, o esporte estava em dificuldades.
A falta de motivação e tecnologia
estavam atravancando o esporte. Apenas os skiboarders
mais experientes ou muito fortes conseguiam levantar
no Skurfer , saindo de dentro da água.
Os Skurfers eram estreitos, flutuavam muito e
requeriam muita energia para conseguir subir neles
e deslizar na superfície da água.
As pranchas Redline eram leves e com boa performance,
porém não tinham a durabilidade
necessária para agüentar os esforços
constantes do esporte. Apesar destes fatos terem
limitado o crescimento do skiboarding, o cenário
para um novo e excitante esporte estava montado.
Um surfista Havaiano chamado Erick Perez desenvolveu
a primeira prancha de wakeboard utilizando uma
tecnologia utilizada amplamente na industria do
esqui aquático, fibra moldada à
compressão (compression-molded) ou fibra
prensada, de flutuabilidade quase neutra, chamada
Hyperlite, juntamente com Herb O'Brien. Esta inovação
detonou o crescimento massivo do que hoje é
conhecido como wakeboard (o termo skiboarding
persistiu por alguns anos, mas o termo oficial
do esporte ficou sendo wakeboarding). A flutuabilidade
neutra das novas pranchas permitiram aos wakeboarders
afundá-las para sair mais facilmente de
dentro da água e a maior resistência
da fibra prensada a impactos permitiu que manobras
mais fortes e altas fossem realizadas. O Wakeboard
tornou-se acessível para pessoas de 4 a
80 anos de idade.
Logo após o lançamento da Hyperlite,
diversos exemplares da mesma chegaram ao Brasil
e logo a febre se popularizou. Entres os primeiros
praticantes destacam-se o Betinho, Flavio Castello
Branco e Luciano Balesteros.
Tivemos aí o início da febre da
nova modalidade, e a nata do esporte começou
a ser formada na Florida ,USA . Novas manobras
foram surgindo numa evolução constante
e vertiginosa , com influências dos esportes
irmãos Snowboard, Skate, Windsurfe, Surf
e Esqui-aquático.
Em pouco tempo, verificou-se uma grande quantidade
de novos praticantes, e o wakeboard se firmou
como um esporte próprio e forte , num fenômeno
semelhante ao ocorrido com o Snowboard, nos esportes
de inverno. As competições passaram
a ser mais freqüentes e maiores, proporcionando
a profissionalização dos melhores
praticantes, e também impulsionando as
fábricas de esquis-aquáticos e de
materiais esportivos.
Herb O`Brien continuou a refinar o wakeboard.
A prancha tinha um perfil fino e fazia curvas
como um esqui de slalom. Ela também tinha
phasers (pequenas ondulações na
parte de baixo), que servia para "quebrar"
o arrasto com a água e deixava a prancha
mais ágil e "solta", além
de pousos mais suaves. O perfil fino, a flutuabilidade
neutra e os phasers são características
que se tornaram possíveis graças
ao processo de moldagem à compressão.
Seguindo o caminho da empresa de Herb O'Brien,
outras empresas de pranchas começaram a
fabricar wakeboards.
Enquanto o esporte crescia, as pranchas continuavam
a melhorar. As primeiras pranchas projetadas e
construídas em 1990 possuíam um
shape que no geral parecia uma prancha de surfe,
com bico e rabeta evidentes. Em 1993, Redmon inovou
e desenvolveu o design "twin tip " de
duas rabetas- um shape simétrico que passou
a ser o padrão atual no esporte. As pranchas
twin tip tem quilhas e rabetas em ambas as extremidades
sem bico, permitindo uma posição
dos pés (stance) centrada, que resulta
numa performance igual tanto quando o wakeboarder
está andando na posição normal
quanto de base trocada (switchstance).
No Brasil o grande berço do wakeboard foi
a represa de Guarapiranga, local onde grandes
nomes do esporte treinavam como o Betinho e o
Pamio.
O esporte floresceu profissionalmente em 1992,
quando uma empresa promotora de esportes e organizadora
de eventos baseada na Florida começou a
organizar eventos profissionais de wakeboard.
Isto deu aos wakeboarders a chance de competirem
profissionalmente, além de exposição
na TV a cabo. Surgiu então a primeira publicação
dedicada ao esporte quando a Knee and Wake Board
Magazine foi lançada em 1993 (mais tarde
o Kneeboard foi tirado do nome devido ao quase
desaparecimento do esporte com o nascimento do
wake).
O grande nome na época era o Darin Shapiro,
wakeboarder que realizava manobras com grande
intensidade mostrando que tinha de sempre ir muito
alto no wakeboard.
Em 1995 Luiz Felipe Pamio, juntamente com a ABEA
(Associação Brasileira de Esqui
Aquático, hoje CBEA) introduziu dentro
de um campeonato de Esqui Aquático a modalidade
Wakeboard. Foi a primeira competição
de Wake no Brasil realizada no Clube Náutico
em Araraquara. O evento foi vencido pelo mesmo,
o Pamio estava há anos luz a frente os
outros wakeboarders Brasileiros. Antes deste campeonato
havia muita resistência por parte de alguns
dos dirigentes da ABEA com relação
ao wakeboard. No entanto o presidente José
Raul Vasconcelos já enxergava o potencial
do wakeboard e convidou o Pamio para fazer uma
demonstração de wakebord, durante
um campeonato da ABEA em 1994. A apresentação
foi repetida mais duas vezes, uma novamente em
94 e outra em 95. Foi somente após estas
três demonstrações, que a
maioria dos dirigentes da ABEA foram forçados
a reconhecer o sucesso que o wakeboard fazia,
especialmente entre o público leigo, passando
assim a abrir espaço para o nosso esporte.
Nesta época o grande nome mundial foi Scott
Byerly que levou as manobras a um nível
técnico nunca antes imaginado e inserindo
o estilo e pegadas nas manobras. Graças
a ele o esporte deu uma grande guinada, saindo
de algo extremamente técnico com pouca
beleza para um esporte de manobras bonitas, bem
definidas, muitas vezes menos técnicas,
mas até mais difíceis de realizar.
Em 1996 a ABEA organizou campeonatos de Esqui
incluindo a modalidade Wakeboard também.
Porém os esquiadores marginalizavam o Wakeboard,
muitas vezes cancelando em cima da hora o Wake,
alterando os dias das competições,
pondo o pessoal pra andar a noite etc..., gerando
muitos protestos perante os competidores e fazendo
com que eles começassem a se organizar.
Mesmo com todos os problemas, os eventos da ABEA
foram imprescindíveis para que wakeboarders
de todo o Brasil se conhecessem.
No começo de 1997 o Betinho resolveu organizar
o primeiro evento unicamente de wakeboard no Brasil.
Juntamente com o Pamio e o Flavio Castello Branco
o evento aconteceu no Clube de Campo de São
Paulo no mês de Maio. A 1a Copa Hi-Winds
de Wakeboard um grande sucesso e demonstrou claramente
que o Wakeboard tinha futuro e uma grande base
de praticantes no Brasil.
As grandes potências do wakeboard Basileiro
eram o estado de São Paulo e Rio Grande
do Sul. São Paulo, com um grande numero
de wakeboarders especializados em invertidos (quando
a prancha fica acima do wakeboarder ex. Mortais,
raleys e cambalhotas) e o pessoal do Rio Grande
do Sul focando principalmente do estilo formando
o famoso jargão "South Style".
No início de 1998 o Betinho e o Flavio
fundaram a ABW, Associação Brasileira
de Wakeboard, e organizaram o primeiro circuito
nacional com 6 etapas pelo Brasil. No mesmo ano
a primeira delegação Brasileira
chefiada pelo Flavio foi representar o Brasil
em um evento internacional, o Sul Americano em
Punta Del Este, onde Luciano Fleck ficou em segundo
na categoria Profissional e Marcos Botelho foi
Campeão na Categoria Adulto I. Esse foi
o ano que o wakeboard se firmou no Brasil como
um esporte organizado e de um belo futuro. No
final do ano a ABW organizou na Lagoa Rodrigo
de Freitas, no Rio de Janeiro, o 1o campeonato
Latino Americano de Wakeboard. A Lagoa tornou-se
desde então o local definitivo para eventos
internacionais de Wakeboard realizados no Brasil.
Foi o ano em que os Cariocas e os Brasilienses
entraram definitivamente no circuito Brasileiro.
Em 1999, com a ABW com bases sólidas e
estruturada, foi enviado a primeira delegação
Brasileira, composta por 5 wakeboarders, para
um campeonato mundial nos EUA. Nesta ocasião
o Betinho sagrou-se campeão Mundial na
categoria Masters e o Marcelo Giardi, o Marreco
foi Vice-campeão na categoria Jr Mens,
a mais concorrida depois da Profissional. Minas
Gerais começou a aparecer no mapa do wake
a uma das melhores etapas do circuito Brasileiro
estava nascendo.
Também em 1999 foi rompido um dos últimos
elos do wakeboard técnico em eventos com
a alteração do formato de julgamento,
saindo de uma ficha de manobras pré- estabelecidas
para um julgamento totalmente subjetivo onde os
wakeboarders tem toda a liberdade para fazerem
as manobras que quiserem na ordem que quiserem.
Esse novo formato permitiu que o estilo fosse
o mais importante e não mais a dificuldade
técnica da manobra, melhorando ainda mais
o esporte.
No ano de 2000 obstáculos como rampas e
corrimãos começaram a ser implantados
nos campeonatos, aumentando cada vez mais as opções
para os wakeboarders demonstrarem suas habilidades.
Neste mesmo ano a WWA (World Wakeboard Association)
se tornou realmente uma entidade mundial tendo
o Brasil como um dos membros fundadores. O Flavio
é um dos diretores da mesma. No mesmo tempo
a IWSF (Federação Internacional
de Esqui Aquático) formou o WWC (Conselho
Mundial de Wake) para concorrer com a WWA.
Manaus começou a aparecer no mapa do wakeboard
nacional e rapidamente se tornou a segunda maior
potencia do esporte somente atrás de São
Paulo devido as ótimas condições
para a pratica do esporte e o elevado numero de
praticantes locais.
Em 2000 o Marreco mostrou sua grande superioridade
no wakeboard nacional sagrando-se tri-campeão
Brasileiro 98, 99 e 2000. Com sua grande potência
nas manobras, alta técnica e adicionado
muitas pegadas e estilos nas manobras ele se transformou
no primeiro grande nome do wakeboard nacional.
2002 foi um ano muito importante pro wakeboard
nacional, por causa da realização
de dois importantes campeonatos internacionais
no Rio de Janeiro.
Em março pela primeira vez tivemos na América
Latina o X-Games, etapa Latino Americana que aconteceu
na Lagoa Rodrigo de Freitas. O Rafael Kamogawa
sagrou-se campeão e foi o primeiro Latino
Americano a representar o continente no X-Games
mundial nos EUA, esse evento foi amplamente divulgado
pela grande mídia com cobertura total da
rede Globo, Espn e Espn Brasil, o que tornou o
esporte muito mais conhecido no país.
Em setembro de 2002, o Brasil teve novamente um
resultado expressivo no Campeonato Mundial , realizado
pela WWA, em Orlando, Flórida. O wakeboarder
paulista Marito Manzoli sagrou-se vice-campeão
mundial na categoria Adulto II. Em dezembro o
Brasil sediou pela primeira vez um campeonato
Mundial. Esse evento realizado pela ABW e pela
IWSF ( International Water Ski Federation), reuniu
cerca de 100 atletas de 9 países diferentes,
entre eles a lenda do esporte Darin Shapiro e
outros grandes nomes do wakeboard mundial. A wakeboarder
carioca Camila Fidalgo foi a única representante
da equipe brasileira que subiu ao pódio
: conquistou a 3a colocação na categoria
Junior Ladies.
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